Sobre as startups de Berlin parte 1

 

 

club mate

“O que oferecemos para você por esse trabalho: Club Mate de graça, frutas e, o mais importante, a oportunidade de mudar o mundo.” Se você clicar no site “Startup jobs in Berlin”, vai achar um monte de anúcios como esse. Clube Mate é tipo um chimarrão gelado que os hipsters adoram. E isso é o que uma empresa de startup te oferece como benefício.

Sim, andei aplicando para alguns trabalhos em startups (e até agora fui rejeitada por todos, quer dizer, nunca me responderam de graça, porque eles praticam a arte do trabalho “humano e compartilhado” mas não tem a educação de responder um email). Se me chamarem um dia e pagarem bem, devo ir, porque um trabalho é um trabalho é um trabalho é um trabalho. E diz a lenda que eles pagam bem e existem empregos bons para escritores (ops, produtores de conteúdo). A lenda também diz que Berlin é a nova capital “tech” do mundo (o que causa um monte de discussão na cidade mas sobre isso eu falo em outro texto).

Mas queria mandar um recadinho para essas pessoas das startups que um dia talvez sejam meus colegas.

Tudo bem que o povo de humanas é mendigo. Mas se vamos trabalhar para uma empresa (e desculpa a ofensa e a sinceridade, mas por mais que você se ache uma “plataforma-de- compartilhamento -de-idéias-conectada-Harry-Porter”, você é uma empresa. Sim, uma firma. Desculpe se te ofendi, Startup) a gente quer um salário.

E quando vamos trabalhar em empresas é para ganhar dinheiro para comprar o nosso próprio Clube Matte, ok? E empresas, em geral, não mudam o mundo. Algumas fazem coisas bem legais. Mas você é uma firma. Firma!!

O mais incrível desse mundo das Startups é que a “plataforma de compartilhamento” que ofereceu para você uma chance de mudar o mundo pode ser… um App de delivery de pizza. Eu não tenho nada contra os deliverys de pizza. Mas se você trabalha nessa firma, você está entregando pizza. Não tem diferença entre o que você faz e a moça da pizzaria que anota os pedidos. Mas isso não tem nada de errado. Está tudo bem. Trabalho é trabalho. Ponto.

Não escrevo isso com mágoa porque as startups parecem que não gostam de mim (sim, um pouquinho de mágoa, assumo). Mas eu gostaria muito de saber como vocês estão mudando o mundo.

Eu acharia mais legal, Startup, se você assumisse que não está mudando nada, que você é uma firma. E sim, existem firmas legais. Espero que você não se ofenda com essas palavras, Startups.

PS. Continua. Porque esse assunto parece ser mais complexo que a obra do escritor Goethe em Alemão (ah, desculpa, do produtor de conteúdo Goethe).

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