Crônica do surto coletivo dos latinos no outono

 

outono

“Aqui também não está bom. Morar fora é muito difícil”, escreve o meu amigo no post de alguém que fala mal do Brasil no Facebook.  Pois é, companheiros, enquanto o Brasil desaba, nós, os que pulamos fora, os imigrantes, os expatriados, exilados, chame do que quiser… enlouquecemos. Chegou a hora do Surto Generalizado do Outono.

Por dia, atendo por chat uns cinco amigos em crise. E também sou atendida por eles. Aos em crise, falo para eles que entendo. E depois vou dar uma volta de bicicleta congelando e chorar.

O Surto Generalizado de Outono atinge 90% dos brasileiros que moram no hemisfério norte. A gente estava ali, feliz, andando de short e… do nada, pow! Acabou a luz. São semanas de chuva, cinza. Como diz um amigo, o dia “não amanhece”. As ruas ficam vazias e você se sente em Manchester nos anos 70 (nunca fui lá, mas entendo muito de música dos Smiths). Eu achava que isso tinha glamour. Bobinha. Pensava quando vinha de férias que esse cinza tom Manchester era charmoso. Não é.

A cada vez que um reclama, repito: “é o tempo.” “Vai chegar o inverno.” “Você sabe, todo ano a gente fica assim.” E nos consolamos em terapias online, já que sair é difícil e nem moramos nos mesmos países.

Em surto de outono, uma amiga que mora em Paris estava se achando tão feia que passou uma noite em casa de luz desligada para “não se ver.” Eu acordo angustiada no meio da noite todos os dias.

Todos os anos. Todos os anos a mesma coisa. A chegada do outono é como uma TPM: a gente acha que está ficando louca mas sabe que não está. Ou que está louca, mas pelo menos tem a quem culpar.

A boa notícia: vai passar. A má notícia: só vai passar daqui a cinco meses. Mas sim. Como sempre, a gente vai se acostumar. Será? Provavelmente. Por enquanto tudo que posso dizer é que etendo a depressão do Morrissey e daqueles ingleses todos. E a filosofia alemã. E até a nausea do Sartre…Enquanto ouço Smashing Pumpkins, para vocês sentirem o drama.

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Um comentário

  1. Nina, venha pro Sul da Europa: Barcelona, Lisboa ou Madrid. Menos exciting que Berlim, fato, mas o frio não machuca desse jeito, nem de longe. Em outubro rolou veranico, só agora tiramos um casaquito do armário.

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