A “mulata Globeleza” é uma tradição? Pois que acabe!

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“Isso foi pressão de hipster, ano que vem volta ao normal”. O cara reclamava no Facebook sobre a “mulata” Globeleza (só o nome eu já acho ridículo, só isso ser um personagem “tradicional” da TV já arrepia os meus cabelos) ter botado roupa e sido transformada em uma imagem, digamos, mais festiva e menos objeto, nesse ano na vinheta da Globo.

Logo depois, vi amigos queridos reclamando do fim de uma tradição. Sério? A “mulata” Globeleza é uma tradição cultural do Brasil? Mesmo? Meu deus! Não acho mesmo que seja. Se é, estamos pior do que eu imaginava. Para mim, a Globeleza é só uma idéia de mau gosto e bizarra e que trata sim a mulher negra como um objeto para ser exportado. As feministas negras sabem disso muito melhor que eu. E antes de falar de tradição, vocês poderiam ouvi-las. Elas têm coisas ótimas para dizer. Você pode ler sobre isso no blog Agora que são  elas (http://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/2016/01/29/a-mulata-globeleza-um-manifesto/)

E tradição por tradição, bem, se fôssemos mantê-las, bem, ter escravo foi uma tradição, não?  Então tá liberado ter empregada doméstica de uniforme porque, afinal, vocês sabem, é uma tradição da época das mucamas! E os gays? Bem, que eles sejam ridicularizados. E só apareçam em programas de TV estereotipados e dançando no Carnaval junto com a “mulata”. Afinal, é tradição!. Assim como muitas piadas de gays também são tradicionais.

Outra coisa que ouvi é que “os tempos mudam mesmo”. Ah, sei. Num passe de mágica, as coisas se transformam. Até parece. Senta que lá vem história.

Há anos as feministas negras pedem o fim da mulata globeleza (e de novo, é preciso ouvi-las). E se a Globo finalmente se tocou de que colocar uma mulher negra rebolando pelada, chamá-la de Globeleza e vender por aí a imagem de que a mulher negra é uma boneca que samba desnuda é uma queimação de filme não foi por acaso. Foi porque teve gente chata. As chatas, vocês sabem, são aquelas que estão acabando com a graça do mundo. Me incluo no grupo com orgulho.

Sim, somos todas umas chatas cheias de mimimi, que acham que um colunista de jornal ter um concurso chamado “mulata do Góes” é um descalabro. “Isso é uma tradição”, Nina. Me disse uma vez um ativista gay quando reclamei do concurso. Tradição por tradição, repito, o mundo continuaria com a bicha cabeleireira e as mulheres, bem, a gente ainda seria pressionada a casar virgem (uma tradição).

PS. Ah, infelizmente a mulata exportação não acabou. Ainda existem shows para gringo ver e essas coisas todas que não fazem mal a ninguém, imagina. Só vendem a imagem de que mulher negra é objeto,. Mas vocês sabem, ne? Eu devo mesmo ser uma chata, ou uma pessoa que, puxa, nem respeita as tradições!

PS2. Para quem não sabe, mulata vem de mula.

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