Quando os homens te ignoram (e não estou falando de flerte!)

homensignoram

“Eu acho que é isso.” Depois de repetir essa frase em alemão canhestro três vezes e ser ignorada, dei uma risada, peguei um papel e resolvi fazer meu trabalho sozinha. Dentro de mim, eu gritava: “não acredito que isso esteja acontecendo! Não acredito que eu esteja fazendo um trabalho de grupo e sendo ignorada por dois homens!” Eles não me viam. Eles não me enxergavam. Para eles eu não estava ali.

A cena acima aconteceu hoje na minha aula de alemão. Calhou das meninas faltarem. Eu era a única mulher na sala de aula. O que aconteceu? Os colegas (a maioria até legal) não falaram comigo. O momento teve o seu ápice quando o professor dividiu a sala em grupos. O meu tinha eu, um egípcio e um irlandês. Eles tinham acabado de se conhecer, mas parece que viraram amigos imediatamente. Formaram um grupo, decidiram quem escrevia, pensaram nas tarefas a serem feitas. E me viraram as costas. Eu tentei participar por cima do ombro de um deles. Até que parei de falar e fui para esse momento onde ria e escrevia sozinha no papel.

Semana passada aconteceu coisa parecida. Um novo colega polonês (e falo das nacionalidades para a gente não cair no estereotipo de que só latino e pessoas de países do Oriente Médio) podem ser mega machistas) me ignorou de outra forma. Tínhamos que trabalhar juntos. Eu sabia as respostas, ele não. Eu dizia. Ele não acreditava. Até que ele resolveu checar no Google. Isso se repetiu algumas vezes. Lá pela quarta, claro, perdi a paciência e disse: “checa no seu telefone, você não acredita em mulher, ne?”.

Pois vocês acham que o macho se abalou? Claro que não! Inclusive acho que ele nem ouviu. Ele tinha me jogado pó de pirimpimpim sexista, eu havia desaparecido e ele não me enxergava mais.

Lembrei, no meio do meu devaneio, de situações semelhantes. Não, não pense que isso só acontece em cursos de alemão com imigrantes do mundo todo! O mesmo sempre aconteceu no Brasil entre um bando de metidos a intelectuais. Foram anos de amigos machos de amigos fingindo que não me conheciam, conversas sobre literatura nos bares, com mesas cheias de machos, onde eu tive que gritar para ser ouvida (e não fui!).

É irritante a gente ter que gritar.

É irritante a gente ter que se colocar por cima do ombro de alguém e mesmo assim não ser vista. Por isso, eu só peço uma coisa: eduquem os filhos de vocês de maneira diferente. Não os deixem tentar calar as meninas. Não falem que eles são uns gênios, super inteligentes, príncipes. Eles não são. Eles são apenas pessoas. E tomara que eles não virem pessoas que, sempre que rola uma oportunidade, desprezam mulheres. Tomara mesmo.

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Um comentário

  1. Conheço um jovem que tem capacidade pra se tornar um macho que ignora e subestima a nós. Quero muito que ele seja diferente, mas não sei se será. De qualquer forma procuro mostrar outras perspectivas de mulher (ex.: mulher não é objeto sexual). Quem sabe colho frutos no futuro. Obrigada pelo seu texto. Também já fui ignorada em tantas situações. Depois vou contar lá no meu blog. Costumo escrever sobre machismo, essa praga que tanto me irrita. Que não mudemos todos os homens, mas que 1 nos ouça. Já teremos feito o bastante. Valeu por dar exemplos de asnos de múltiplas nacionalidades. Tô cansaaaada (e você deve estar também) de ouvir que brasileiro é machista, que EUA e Europa são 1o mundo. Que 1o mundo hein?

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