Eu, Nina L., viciada em Netflix

Eu poderia culpar o tempo. Eu poderia culpar a situação do Brasil. E não nego, eu culpo. Culpo também o meu medo de ficar totalmente sem dinheiro, a falta de pespectivas financeiras. Culpo meus genes, tão propensos ao vício. Culpo o Temer. Culpo o Trump e culpo a Globo (#alouca). E assumo: Eu, Nina Lemos, estou viciada em Netflix. Vou além e confesso: eu falava mal de vocês, amigos viciaados. Falava mesmo. E muito.

Já escrevi que existia uma seita de adoradores do Netflix, e estava falando de vocês.

Achava ridiculo ver adulto falando de série, me irritava quando vocês me perguntavam se eu já tinha visto aquela série incrível do Netflix e comentava com amigos que também eram da turma CMS (Contra Maratona de Séries): “a vida deles é isso, estou preocupada. Eles não fazem mais nada. Eles só assistem Netflix”.

Quando eu tinha vontade de voltar ao Brasil, arrumar um trabalho fixo meio chato em São Paulo em uma agência de conteúdo digital só para ter uma grana fixa ok no fim do mês na conta, eu pensava: “melhor não, vou virar uma daquelas pessoas que passam o fim de semana sozinhas em casa assistindo Netflix. Que medo.”

Não voltei para o Brasil nem tenho um emprego fixo com uma grana boa caindo na conta no fim do mês. Não moro em São Paulo. Mas sou aquela pessoa que fica em casa assistindo Netflix.

Tudo começou com a volta de Gilmore Girls. Comecei a ver. Fiquei cinco horas assistindo. Virei a noite. Vi que a droga era forte. Prometi largar. Mas não.

Em três meses, já assisti TODAS AS TEMPORADAS de Gilmore Girls de novo. Todas as temporada de Unbreakable Kimmy Schmidt (amo e sou a velha com medo da gentrificação), todos os episódio de Dear White People (é sensacional, não percam) e outras, muitas outras. São tantas, mas TANTAS, que não tenho nem coragem de confessar. Começo a pensar em todo o tempo que passei vendo Netflix e sinto uma pontada de angústia.

Eu podia estar lendo livros, eu podia estar escrevendo um livro. Mas não, estou vendo uma série sobre telefonistas nos anos 20 em Madri para fugir de ter que pensar na falta de pespectivas, no medo de virar mendiga, no golpe etc.

Um amigo disse que é depressão. Não acho que seja tanto.

É apenas a vida sendo ruim e o Netflix sendo bom  como fuga. Por isso, entendo vocês. Estamos juntos. Desculpa aê. Foi mal. Mas se eu começar a viciar em Snapchat e a usar pochete, por favor, chamem os homens de branco!

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1 comentário

  1. Renata

    Usar pochete foi ótimo! Hahaha Eu também reclamava do povo que assistia BBB, mas também tenho os meus vícios. Eu sou a pessoa que passa o fds em casa, mas tenho depressão mesmo. Fora isso, tem o Temer, ônibus capenga, a Globo, medo de estar com pouca grana e ficar com 0. Essas coisas “básicas” que não me deixam sair de casa com facilidade. Te entendo. E fiquei com vontade de assistir ao seriado da Kimmy Schmidt porque também sou contra a gentrificação. Rs

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