Etiqueta para tempos de crise (pelo fim do “onde você está?”)

 

Ok. A gente está há uns 200 anos vivendo de ostentação. Vamos admitir. Falo da classe média e me incluo. Nossa vida tem sido um eterno: “não tenho tempo” (como se isso fosse bom), “to com mil projetos incríveis”, ou, no caso de alguns mais malucos, “tó ganhando muito bem” (medo de quem fala isso). E no caso de outros mais malucos ainda: “Não posso reclamar, sabe, tenho recebido mil propostas” . Nunca fiz isso na vida, já vi gente fazer, como estou com TPM, minha resposta para eles poderia ser: morram. Mas como não quero ser processada, digo apenas que são ridículos.

Pois bem. Tudo isso sempre foi patético. Mas fica mais ridículo ainda em tempos de crise! Além de tudo, é falta de educação das grandes. Eu, heim, ostentar em um país com quase 20% de desempregados? Se você faz isso sem se tocar, você deve estar querendo se afirmar, ou só ser má mesmo. Então, pare! Conversando com uma amiga outro dia pensei em um pequeno manual para que você seja menos ridícula (o) e má nesses tempos difíceis.

1-Para começar. Chega de fazer a pergunta: “Onde você está?”

Gente, essa pergunta é patética em si. Como você pode perguntar para alguém que está na sua frente onde ela está? Se ela está falando com você é porque ela está na sua frente, certo? Vamos parar de fazer essa pergunta para sempre! Vamos parar de achar que a vida corporativa nos define.

Troque o onde você está para o como você está? Que tal?

2- Chega de “o que você está fazendo”

Como diria o Lirio Ferreira lá no início dos anos 2000, se alguém te perguntar isso, responda: “estou mudando uma planta de lugar”. O mesmo vale para “o que você faz?” Lembre do Cazuza e diga: “eu mudo uma planta de lugar.” Você pode ir além na música e responder: “eu ando na rua e eu troco um cheque!”. De novo, você pode trocar a pergunta. E se você falar: e aí, como vai indo? Ah, e se prepare para ouvir que a pessoa está mal. Se você ainda não aprendeu a lidar com o lado ruim da vida, aprenda!

3- Não ostente, não exiba, não,não, não!

Foi convidado para um trabalho incrível e super bem pago? Que ótimo! Certeza que seus amigos vão ficar felizes por você. Mas existem maneiras e maneiras de falar. Em um grupo onde “todos os seus amigos estão procurando emprego”, que tal falar: “então, gente, aconteceu um milagre, não é que apareceu um bom trabalho?” Todos vão ficar felizes e acreditando em milagres, como Wander e como os Ramones. Agora, se você comprou uma coisa super cara porque tá podendo, problema seu. Você não precisa postar isso em rede social. Você não preisa falar. Quer dizer, ninguém tem que nada. Mas você vai ser mal educado, opção sua!

4- De uma vez por todas, pare de glamourizar o “to super ocupado”

Não tenho tempo para nada” e estar super ocupado como estilo de vida já é uma coisa dificil de entender. Desde quando isso é bom? Que tipo de status é esse? A gente tem apego à escravidão? (eu sei a resposta: temos). Mas pera lá! Você ficar falando que tá super sem tempo para os seus amigos que não estão super ocupados porque, bem, elas estão desempregadas, é ofensivo. Estamos, sim, todos ocupados, correndo atrás, indo atrás etc. Só que isso não é bom. Seria melhor se a gente tivesse tranquilo.

5- Pare de mandar as pessoas trabalharem!

Esse é o argumento número 1 dos reacionários.  Vocês sabem, ne? “As pessoas não trabalham!” “Essa gente precisa trabalhar!” Além de soar como se você fosse um feitor de escravo, ou um chefe horroroso que fica gritando: vai trabalhar! Vai trabalhar!, como você pode mandar as pessoas trabalharem se elas não tem emprego? Coisa mais malvada, mal educada, cruzes!!!!!

PS. E como a crise continua… a lista será continuada também…

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