A economia “compartilhada” e o apê descolado

 

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Esses jovens incríveis, eles são empreendedores. Eles aproveitam a crise para criar coisas. Eles são maravilhosos! Eles agora fazem cerveja artesanal, brigadeiro vegano e estão mudando o mundo! É tudo compartilhado. O importante é a boa convivência. A nossa mesa de ping pong, o cachorro, que você pode trazer pro escritório. Tudo com muita gratidão. Não é lindo?

Pois eu que não caio nessa. Estou há tempo cansadas desses truques vendidos como capitalismo com pitadas de gratidão. Uber, Arbnb, vê se me erra! Talvez eu esteja apenas velha e cansada. Mas aí vai o mundo e me prova que talvez eu ainda tenha um pouco de razão.

Apareceu ontem na minha timeline do Facebook um anúncio com layout feminista, tudo pop, rosa chock etc. Uma moça procurava uma “mana” para morar com ela em um “apartamento descolado” na zona sul de São Paulo. A mana não precisava pagar aluguel, mas tinha que saber cozinhar, arrumar a casa e cuidar do filho da outra na parte da manhã. A moça que fez o convite usava o bordão: “juntas somos mais fortes”. Virou escândalo.

Como assim? Seria isso escravidão? Bem, vocês pensem por vocês mesmo o que parece. O que acho: sim, é meio escravidão.. Assim como é meio escravidão todas as vezes que chamam pessoas para trabalhar em um projeto “foda”. E o cachê? Não se fala, afinal, somos almas “idealistas” e apesar de nos chamarmos de empreendedores, não pensamos em dinheiro. Estamos trabalhando pelo “todo” e mudando o mundo, mas espera, esse todo muitas vezes é uma empresa multimilionária sediada em algum lugar dos Estados Unidos. Mas quem liga?

Em entrevista a um jornal, a moça que procura uma “mana” para um apartamento descolado mostra que é ambiciosa. Ela “herdou” uma casa e pretende a transformar em um centro compartilhado de moradia para mulheres. Legal. Mas olha, ela ganhou uma HERANÇA. Ela seria A DONA.

Cooperativa com dono? Trabalho sem salário mas em apartamento descolado? Eu não me surpreendo, eu juro. E na boa, vocês, adoradores do Uber, estão alimentando esse demônio faz tempo. Mas sei lá, vai ver eu que sou chata, sem gratidão e materialista. Quem sabe?

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